terça-feira, 10 de setembro de 2013

A conversa dos outros - parte 2

Agora estou novamente em uma fila, essa é mais honesta porque não promete ser rápida e na verdade não é mesmo. Preciso tirar o meu cartão BOM  já que não tenho carro e vou pra lá e pra cá de transporte coletivo. Mais do mesmo: porta giratória ( entrei com celular, chaves, óculos, moedas e a porta não travou, medo), informações, fila enorme, vídeo falando das maravilhas do cartão, tédio, dor nas costas, nas pernas, nos joelhos, mais tédio, quando de repente dois homens atrás de mim começam:

".. . que demora hein? mas também o pessoal vai almoçar na hora do almoço de todo mundo? ah, não dá tem que ter mais gente para atender.
 Eu acho que eu não preciso ficar nessa fila, eu já fiz meu cadastro só vim buscar mas o moço ali falou para eu ficar na fila. Não parece mas eu já tenho mais de 65 anos. Não parece mesmo. Nossa eu tenho direito a tanta coisa que não pego, a cesta básica de São Caetano, minha mulher descobriu que eu tenho direito.
 Ih, mas aquela cesta básica de lá é tão fraquinha.
 É fraquinha para gente que tem fartura mas para quem tá passando fome, isso é um banquete.
 Isso é verdade.
Eu vou direto para o nordeste, e sempre levo ajuda, levo roupas que não uso, levo comida, nossa quando entrego para as pessoas de lá, eles dão aquele sorriso que dá a volta na cara de tão felizes que ficam. O povo fala mal do Lula porque dá esse bolsa família mas é que não conhecem a realidade, vai lá para o nordeste ver a vida que eles levam, é uma tristeza sem fim, esse pouquinho de dinheiro faz uma baita diferença para eles. O povo fala mal porque aqui a gente tem fartura de tudo, fala mal quem não conhece a miséria, quem nunca passou fome. Porque quando você passa fome,qualquer ajuda que você recebe por menor que seja é ouro.
Moça eu preciso ficar nessa fila? eu já fiz o cadastro, só vim buscar.
O senhor tem mais de 65 anos?
Tenho sim.
Não, o senhor pode esperar ali na cadeira que nós chamamos pelo nome.
Não falei que eu não precisa ficar na fila?"





A conversa dos outros

Não fica escutando a conversa dos outros menina, que é feio. Cresci ouvindo essa frase porque se tem uma coisa que eu gosto de fazer é isso e de preferência quando os outros são desconhecidos. Ouço cada uma..

Estou eu na fila do caixa rápido da Coop, sabe aquelas para quem compra até 15 unidades? Bom, estou eu em uma dessas filas com umas 784 pessoas na minha frente, paciência ou C'est la vie como dizem os franceses. Bom quando dois homens que estão na minha frente começam a conversar, já fico interessada porque o papo sempre começa com as pessoas reclamando da fila mas quando ouvi a frase: esse Sarney é outro que não vale nada, achei melhor prestar atenção e o que se seguiu foi algo mais ou menos assim:

"Puxa vida mas que falta de respeito, tanta gente e tão poucos caixas, eu tô quase desistindo disso aqui, eu só não desisto porque comprei remédios e a receita tá aqui dentro, mas esse país viu, ninguém tem respeito começando pelos políticos ficam é tirando sarro da cara da gente, esse Sarney é um que não vale nada, o Lula por exemplo, você sabe quantas aposentadorias tem o Lula? Um monte, e o Fernando Henrique? tem aposentadoria de Presidente, de Governador, de professor, do raio que o parta, e eles que foram presidentes tem um monte de regalias, segurança, e tudo mais. E você acha que eles ganham salário mínimo de aposentadoria? que nada, agora aumentar a aposentadoria do povo não pode porque senão compromete a economia mas a deles podem aumentar né? a deles não compromete? faz favor....
E os remédios? quem é aposentado sofre para comprar remédio, graças à Deus o meu pai tinha uma saúde de ferro, quando o governo começou a vacinar os velhinhos contra a gripe, o meu pai ouviu no ônibus que isso era coisa do governo para matar os idosos e não precisar pagar aposentadoria, ele nunca tomou a vacina, já minha mãe toma desde o primeiro ano e não morreu mas nem isso convenceu meu pai. Ele tinha uma saúde ótima mas depois que minha irmã morreu, aí foi uma tristeza só, ele não comia, não saía de casa, um dia pediu para ir ao hospital porque não tava bem, chegamos lá fizeram todos os exames e ele não tinha nada, morreu pouco depois, de tristeza.
Olha, chegou nossa vez.
Conversando a gente nem viu a fila andar.
Tchau, tudo de bom.
Tchau para você também."

Ops, o painel avisou CAIXA 11, já?  a fila anda rápido para quem só escuta também.




terça-feira, 3 de setembro de 2013

Los Angeles

Hoje acordei cedinho e já estava me preparando para ir fazer as unhas quando abri o face e assisti um vídeo do Mario Sergio Cortella falando sobre aquelas pessoas que se julgam muito importantes e de como o estudo da astronomia pode ser uma valiosa lição de humildade. Adorei e ri muito também.
Já na minha querida São Caetano comprei um pão de queijo naquela lanchonete fofa que tem no meio da pracinha da matriz , sabe? ele estava tão quentinho, quando dei a primeira mordida só tive que agradecer por um dia alguém em algum lugar de Minas Gerais ter inventado essa delícia que é boa demais da conta sô. hummmmmm ainda bem que existe o pão de queijo.
Pertinho do salão vi um pé de dama da noite, aquele tipo que tem flores pequenas brancas, roxas e lilases, bem lindo e florido, um presente para os olhos e para o nariz ( eu ia escrever para o olfato mas achei meio frio ) mesmo de dia estava bem perfumado.
Bom,  ri e me diverti com as meninas da Mirai como sempre.
Na hora de ir embora peguei o ônibus e dentro dele  vi uma mulher que aparentava ter uns 50 anos conversando com um homem, só a ouvir dizer assim: eu estou ótima, ma-ra-vi-lho-sa-men-te bem! agora vou para casa da minha amiga a gente conversa, amanhã vou trabalhar e por aí vai... era uma mulher bem bonita, estava com um camiseta azul escrito CHIC! e saiu toda pimpante. Sabe ela estava mesmo com cara de que estava maravilhosamente bem. Talvez por já ter passado por muitas agruras ela tenha chegado a idade em que só se permite ser livre e feliz. Mas dá pra começar agora, dá pra começar a ser livre e feliz desde já, quer dizer acho que dá.
Comi um delicioso mil folhas de morango na Chantilly, um dos meus lugares favoritos em São Caetano, é um misto de cafeteria com confeitaria, um lugar bem charmoso e com toque de Paris.
Achei um sebo de livros ótimos e os dois atendentes foram muito simpáticos comigo. Comprei o livro  Feitiço da Lua da Márcia Frazão, ops quase escrevi Frazão com s, bendito google.
Bom, estava indo embora e entrei em uma lojinha com coisas para casa quando uma menina entrou correndo e fechando a porta da loja dizendo que tinham assaltado um banco e que tinha policiais por todos os lados, fiquei com medo de ir embora mas depois falaram que era alarme falso e tudo se acalmou.
Já em casa, eu e Celso almoçamos, rimos e conversamos.
O Celso está muito bravo com a Net, quer cancelar, quer brigar, quer fazer o diabo e começou a reclamar de tudo para os técnicos quando eles chegaram mas depois de 5 minutos eles já tinham virado amigos de infância e ele já estava contando da viagem à Irlanda.

Por hoje é só pessoal... e os anjos continuam por aqui... sinto a presença deles.

Obrigada Michelle.








segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Ainda não sei

Olha só que coisa engraçada, quer dizer não tem nada engraçado mas é que como faz muito tempo que não escrevo me sinto enferrujada, acho que é normal né? Quando ficamos muito tempo sem fazer algo quando voltamos a fazer parece muito desconfortável.

Ultimamente tenho pensando em muitas ideias, todas desconexas claro e resolvi então escrever tudo o que vier a cabeça, sem pensar:

e a primeira coisa que pensei foi que hoje quando eu estava voltando para casa no terminal Sacomã perguntei para a última pessoa da fila, uma mocinha, se aquela fila era para o 154 e ela não me respondeu o que interpretei como um excesso de timidez, a senhora da frente respondeu por ela, era sim para o 154. Minutos depois percebi que a mocinha além de muito tímida era também uma pessoa com deficiência auditiva e achei admirável o fato dela ter vencido a timidez para me perguntar se eu não era a moça da TV, que fazia vários comerciais? Disse que sim, ela abriu um sorriso, disse com muita dificuldade que era um prazer me conhecer mas que jamais imaginaria encontrar alguém que trabalha na TV em um fila de ônibus, achei engraçado também, mas essa sou eu. Se ela visse meu celular então, acho que iria rir muito. Não tiro uma foto dele e coloco aqui porque acredite, ele não tem câmera.

Quando entrei no ônibus, percebi que teria que fazer a viagem em pé segurando duas blusas de frio e mais uma bolsa pesada ( pra que carregar tudo isso?) e pior a moça que estava sentada não iria se oferecer para carregar a minha bolsa porque estava absolutamente envolvida com seu livro e ao lado dela estava um homem, infelizmente todas as vezes que alguém fez essa gentileza, esse alguém foi uma mulher, os homens não tem esse costume não sei se por timidez ou por não perceberem o bem que fariam. Fiquei olhando para o mocinho sentado e talvez ele tenha lido meus pensamentos ou talvez eu esteja enganada a respeito dos homens ou talvez eles estejam mudando ou sei lá o que, o fato é que ele abriu um sorriso e se ofereceu para carregar as minhas coisas. Como dizem na minha terra: paguei a língua ou melhor paguei a língua imaginária.

Lembrei que quero falar que a gente é menos importante do que a gente  acha. Essa vai ser difícil de explicar, o caso é que observando a humanidade ( eu inclusa) percebi que nos achamos mais importantes do que realmente somos paro os outros, mas peralá, quando falo os outros não estou falando das nossas famílias, amigos e amores, para esses sim somos importantíssimos.
Estou falando para o resto da humanidade, as pessoas acham que as outras pessoas estão o tempo todo, olhando para elas, vendo seus defeitos, querendo saber de suas vidas, falando mal delas e na verdade, as outras pessoas estão apenas preocupadas com seus próprios defeitos, com suas próprias vidas, com seu próprios problemas, exceto é claro as pessoas que não tem aventura na vida, essas sim acham incrível ficar o dia inteiro falando dos outros mas esse assunto: "falta de aventura na vida" fica para outro post.

Pensando bem, esse assunto " Você não é tão importante assim" também é assunto para outro post.

Em breve nos melhores cinemas.


sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Lista dos 41 presentes de aniversário

Tradicionalmente alguns dias antes do meu aniversário faço uma lista com o número de presentes correspondentes a idade que farei, em 2013 serão 41 anos então minha lista será de ..... adivinhem????? tchan tchan 41 presentes!

1 - Alegria de viver
2- um vaso de gerânio
3 - um vale-livro da Saraiva ou Livraria Cultura
4 - uma linda sapatilha nº 37
5 - creme para as mãos
6 - Um dia de sol
7 - uma panela de barro
8 - sucesso em todos os sentidos
9 - beijos dos sobrinhos
10 - ver um arco-íris
11 - bicicleta com cestinha
12 - noites com sol
13 - todos os tipos de riqueza
14 - doçura
15 - um broche bem bonito
16 - Body Splash Pure Seduction da Victoria's Secret
17 - brinco de pérola ( pode ser verdadeiro)
18 - abraços de amigos
19 - pratos de sobremesa bem lindinhos
20 - esperanças
21 - leveza
22 - coleção de filmes da Audrey Hepburn ( menos Bonequinha de luxo, Sabrina e a Princesa e o Plebeu, esses eu já tenho)
23 - uma grande ideia
24 - uma carteira vermelha
24 - um  colar encantado
25 - um panela de ferro esmaltado grande
26 - um caderno feito de papel reciclado
27 - ver vagalumes
28 - uma bolsa bem estilosa
29 - uma noite de lua cheia
30 - uma carta
31 - gargalhadas
32 - um ventinho em um dia de calor
33 - o som do mar
34 - pastel de santa clara
35 - uma casa com jardim
36 - milagres
37 - um cd de choro com solo de flauta do Altamiro Carrilho
38 - flores
39 - bons sonhos
40 - todo amor que houver nessa vida
41 - um presente surpresa

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

ideiasidéiasIDEIASidéiasemaisidéiasideiasideiasideias

Agora pense em uma pessoa que tem mil idéias e que quer realizar todas?  De preferência ao mesmo tempo.Pensou em mim.

Hoje fui a casa lotérica que fica dentro do supermercado Hirota, pertinho da Radioficina e comprei vários jogos: mega sena. e sei lá mais o que... ah! no meio tinha uma raspadinha, já sei que nessa eu não ganhei, já raspei e nada. Estou apostando forte na mega sena, parece que tá acumulada, e é exatamente o que eu preciso, dinheiro para poder fazer só o que me der na telha, pra poder tocar flauta, comprar equipamentos, fazer milhões de vídeos, viajar, colocar em prática todas as ideias malucas e as não malucas também, idéia não tem mais acento, se você coloca acento em idéia o computador destaca, mas se você escreve ideia assim, fica tudo bem. E eu, com ou sem acento, porque a essa altura tanto faz estou cheia de ideias. Muitas, milhares, elas não param de chegar... a todo momento, a toda hora e é claro que eu acho que todas são ótimas mas eu sei que nem todas são ótimas, mas dá vontade de realizar todas as ideias, ah como dá.

Será que seu eu ficar rica da noite para o dia eu vou parar de ter ideias e vou realizá-las ou será que vou ficar tendo mais ideias ainda e não vou fazer nada?

Será que se eu não ficar rica e precisar colocar as ideias em prática para sobreviver eu vou conseguir concluir uma antes de começar outra?

será será será? o tempo é mesmo o senhor da razão.
Quem viver, verá.

beijos, boa noite, boa lua, bons sonhos bons.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Dia 15 de fevereiro

Ontem a tarde, eu Rodrigo ou Jair como é popularmente conhecido e a bichinha  (Vivi) nos encontramos na Livraria Cultura para mais uma reunião da nossa empresa. Conversamos, decidimos os próximos passos, escrevemos uma lista com os nossos possíveis erros baseada nos erros de outras empresas que conhecemos bem. Pesquisamos alguns livros e na hora de ir embora caiu o maior toró. Simples assim, não dava para sair de lá, bom o jeito era dar uma voltinha e fomos até o andar de cima no setor de música, ficamos ouvindo alguns cds  quando de repente ouvimos uma sanfona, oxi o que tava acontecendo? Olhamos para baixo e vimos um trio de forrozeiros tocando e várias pessoas em volta. Descemos e vimos que quem estava tocando era o ator que Nivaldo Expedito de Carvalho que interpretou o Gonzagão no cinema. Menina, não é que ele toca e canta de verdade? E bem viu? 
Aí, eu que nasci em Pirassununga e bichinha que nasceu em São Paulo mas somos bahianas de alma começamos a dançar, juro não dava para ficar parada, a música era contagiante. As pessoas em volta começaram a rir e aí percebi que só nós duas estávamos dançando, as outras pessoas assistiam a tudo em pé, paradas, de braços cruzados, como é que pode uma coisa dessas minha gente? Aí lembrei, coisas de São Paulo mesmo..... acha que se estivéssemos na Bahia ia ter alguém parado? imagina.
Aí me lembrei que se minha mãe e a tia Léa estivessem lá, com certeza elas dançariam com a gente.
Bom, em determinado momento eles pararam de tocar e foram para a parte de baixo onde aconteceria a noite de autógrafos e nós  fomos atrás. Chegando lá a mesma coisa, o forró continuou e a gente voltou a dançar com alegria. De repente visualizamos o senador Suplicy, em um momento ele olhou para trás e só viu a gente dançando... pronto nem pensou duas vezes, tirou a gente para dançar, eu e a bichinha. Rodrigo ou Jairzinho gravou tudo, rsrsrs foi hilário, eu ri o tempo todo. Foi muito bom, tantas risadas que o fígado até agradeceu, não dizem que rir desopila o fígado? Então os nossos estão desopiladíssimos. 
Pra fechar com chave de ouro eu e bichinha fomos a um bar onde se vendem espetinhos variados e fervemos com todo mundo, com os garçons, com a garçonete, fizemos amizades, conversamos muito e claro mais e mais risadas.
É claro que quando cheguei em casa, banho morno e dormi como uma criança inocente e feliz.
Dia em que descobri que a alegria pode chegar a qualquer momento.